quarta-feira, 4 de setembro de 2013

De vermelho, preto e óculos escuros, num dia nublado.


Com a vivacidade do vermelho, a sobriedade do preto e a ousadia dos óculos escuros apesar do dia incrivelmente nublado, sai hoje trilhando um novo caminhar por um passado delicioso que embalava sonhos, naquele tempo inconcebíveis, porém, hoje, em sua totalidade vividos.

É assim que caminho pelo meu passado, colorindo-o com tudo o que vivo no presente, mas de olho firme no tempo que chamamos de amanhã, que todos os dias se avizinha.

Vou pelos caminhos percorridos pela menina de 15 anos que sonhava com quadros e possibilidades, mas não se preocupava muito com isso, apenas vivia cada segundo dessa sua vida a partir do que lhe era permitindo. Percorria ruas que nem o nome sabia e seguia identificando-as com causas e casos, ora por uma casa que chamavam de "a casa dos peixinhos", ora pela "viela dos amassos", um fetiche assustador, ora pela rua do "baile anual de carnaval" que não lhe era permitido participar. Apenas seguia com suas amigas provocando encontros com rapazes a quem dava o nome de músicas. "Ah"...como eram saborosas aquelas tardes de plena liberdade, desprovidas de compromissos, apenas pautadas no comportamento que definiria o seu caráter segundo os padrões da época.

Esses sons, essas vozes, sobressaltos e até culpas foram reproduzidos nesse caminhar de hoje. Que bom poder sonhar esses sonhos de outrora, de revivê-los nas fachadas das casas que nada sofreram nessa temporalidade e nos sobressaltos das que estão totalmente multifacetadas pela modernidade, mas que mesmo assim mantém sua essência que permanece firme naquele território do tempo que se faz até "sacro" dado a sua importância.

A vivacidade do vermelho seguia rastreando o passado e alegrando o presente. "Ah", que delícia "ouvir" tudo isso a cada passo, a cada caminhar, é muito gratificante perceber que não há dor, apenas saudade de um tempo que acrescentou mais do que tirou. A sacralidade fica por conta da perenidade, o que aconteceu faz parte do meu "estar" no mundo hoje, que não será diferente do amanhã assim como não se distancia do ontem. Sem sobressaltos percebo que respirar esse passado me situa no presente, pois sinto que me delineava, me formatava para poder olhar de um tempo para o outro sem perder o sentido que me definiu.

O importante é saber que posso recomeçar, pois soube viver para ter esse conforto, sem negar os sofrimentos que, mesmo tendo sido muitos, compõem o meu ser. Posso sim recomeçar ou, até, começar tudo de novo assim como o amanhecer teima em acontecer mesmo que o sol não apareça e  no vermelho e preto contrapor os sentidos e assumindo o lado vivo e escuro desse complexo ato que é viver.

Simples assim.