terça-feira, 3 de setembro de 2013

De frente para a eternidade.

Parece que foi ontem que questionei a minha mãe sobre quando eu poderia ter as chaves de casa. Era o tempo dos meus quinze anos e pesarosa ouvi dela que isso só aconteceria quando, ou após os dezoito anos...misericórdia...foi o mesmo que ouvir...."blá...blá...."só na eternidade".

Quanto tempo seria necessário para completar 18 anos? Realmente, seria uma eternidade...que lonjura meu Deus do céu...que lonjura!!!


Pois bem, a lonjura chegou, na verdade já passou, e como passou! Hoje, 41 anos depois não só conquistei as chaves da casa dos meus pais como conquistei as da minha própria casa, também. É encantador pensar que aquela menina de 15 anos ansiosa para alçar os "grandes" voos que aquelas chaves lhe proporcionariam ainda mora no meu interior. É fascinante recordar vivamente o quanto isso foi tão "definitório" em minha trajetória. Naquele momento era tudo o que eu tinha. Uma expectativa imensa se vislumbrava no horizonte daquele "instante" tão intensamente vivido.


Hoje os parâmetros são outros, se outrora a eternidade tinha um sentido de distância inatingível, hoje ela é uma realidade. Não há como negar, é uma realidade que precisa ser enfrentada e vivida adequadamente para que esta ganhe um significado agregador, desafiador e não determinante.


Nota-se, de forma assustadora que já vivi mais da metade de toda uma vida. Essa constatação não tem nada de pessimista, muito menos depressiva, é a maneira mais adequada, no meu ponto de vista, de se situar num tempo tão importante quanto aquele vivido na adolescência quando nos sentimos perdidas ou perdidos entre dois mundos: o infantil e o adulto, que sempre nos confunde.


Não sei se definir uma época facilita o viver, talvez só sejam necessárias medidas imprescindíveis para que a tranquilidade paute o caminhar nessas novas trilhas.


Com 56 tempos vividos e vários caminhos percorridos há que se definir novos passos e é nessa trajetória que se definirá a qualidade do viver.


Olhar para o horizonte com os olhos daquela menina, projetando novos desafios, com mudanças de percursos, se necessário, sem medo de enfrentar o novo.


É assim que gosto de me situar na vida, construindo e desconstruindo o meu "estar" no mundo conservando o meu "ser" firmando-o como uma marca reveladora, buscando conquistar novas chaves que me levarão a novas casas, novas portas, novas conquistas, pois o importante é caminhar, mesmo quando voltar se faz preciso. Vou seguindo em frente cavando tempos sem me importar se precisarei de mais 3 x 15 + 11 anos, o importante que essa menina que ansiava por descobertas se mantenha viva desafiando a vida.


Simples assim.