quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A alameda "ladrilhada" com as flores roxas e amarelas dos ipês.

Hoje troquei o verde do transporte público pelo verde da natureza. 
Foi difícil, chovia a cântaros mas valeu a pena, afinal como diz Fernando Pessoa, "tudo vale a pena quando a alma não é pequena", não é verdade?
Como todos sabem caminhar pelas ruas de uma cidade grande é complicado, as calçadas terminam no nada e você se vê desesperada disputando espaço com carros, caminhões e outros tantos com rodas.
No entanto vou ater-me ao lúdico e às sensações que tal "passeio" despertou em mim. Enquanto caminhava por um pedaço que nomeei de "alameda"  deparei-me com um tapete de ipê roxo, gente, que maravilhoso! Não andei, arrasei, simplesmente desfilei levemente para não magoar as flores que delicadamente desceram da árvore para "ladrilhar a rua que eu ia passar". Sim, impossível não traçar uma analogia com a música "Se essa rua fosse minha". Eu não sabia quem, mas fiquei, por instantes imaginando "quem seria que tinha desejado "ladrilhar" aquele pedaço de chão para me "ver passar"?
 Quem?
Enfim na busca da resposta, "tratei logo de ser feliz", afinal seria impossível não ser feliz diante de um quadro desses, de um devaneio desses. Ah, não acabou não logo adiante o ipê amarelo, talvez invejoso debulhou-se  em menos quantidade, mas também enfeitando a minha passagem.
Senti o carinho de Deus, como se Ele me agradecesse por contemplar toda a beleza dessas suas criaturas que foram ali dispostas para alegrar o dia, esse dia tão nublado e chuvoso, tão carente de beleza! Até agora me emociono ao recordar a sensação gostosa que se apossou de mim.
 Como são fugazes esses instantes de felicidade!
 E por isso mesmo tão valiosos.
Era possível ouvir a alegria das folhas sacolejadas pelos vários braços das árvores que tentavam se expressar gratas pela chuva que caía, cheguei até a pensar que como não elas não tem como verbalizar tal rompantes emprestam o cantar dos pássaros para nos "afogar" num mar de encantamento. E que canto!
É gente, realmente, delirei, eu me transportei para um mundo que existe para que possamos "suportar" esse tal que nos cerca e que criamos. Um mundo cinza e barulhento, cheio de gritos silenciosos de dores e descontentamentos, apressado. Eu estava entre uma avenida importante daqui do nosso bairro e a Rodovia dos Bandeirantes, vocês conseguem imaginar a sonoridade poluída ali produzida? Ela simplesmente desapareceu enquanto eu deslizava pelo tapete roxo e depois amarelo, sozinha, rindo feito uma desvairada e louvando, louvando por deixar-me contagiar por tal milagre. Milagre sim, milagre que o Senhor vai produzindo em cada segundo das nossas vidas, eles acontecem para quem enxerga e vê, para quem ouve e escuta, para quem come e saboreia e para quem anda e caminha, enfim para todos os gostos e paladares, basta abrir-se para que Ele possa operar e executar o projeto de "felicidade" que Ele traçou para nós.
Vamos lá, de um jeito de ser feliz, não espere por grandes feitos, produza e acredite nos instantes que a vida nos presenteia.
Bem, agora partilhando com vocês essa epopeia descubro emocionada quem foi o "Quem" que ladrilhou a rua para "eu" passar nessa minha trajetória nesse tempo que se chama o hoje da minha vida.
Fique atento, fique atenta Ele também vai te surpreender no tempo do amanhã que se aproxima.


Simples assim.