sábado, 19 de outubro de 2013

A tecnologia gerando tempo para amar.

Sempre que me deparo com um debate ou preocupação com as questões que cercam o avanço e uso massivo da tecnologia pelas crianças, fico imaginando que ao longo da história da humanidade, desde que o mundo é mundo, as famílias se veem envolvidas nestas polêmicas.
Imagino o que significou o fogo e a roda para as famílias. Com certeza elas debatiam entre si a liberação ou não desses avanços tão impactantes para suas crianças com o mesmo dilema dos dias atuais. 
Ao mesmo tempo penso que talvez essa tecnologia dos dias de hoje teria aproximado mais os filhos dos seus pais sempre que estes se ausentavam para caçar na busca de alimentos, para lutarem em guerras intermináveis ou na  busca de novas oportunidades. Era sempre um drama. Os que partiam levavam o anseio do retorno e a dor da ausência do aconchego familiar, a quem ficava restava a perplexidade da porta fechada e o desejo desesperador de vê-la abrir-se novamente sabia-se lá quando. Conta a história que muitos homens só voltavam para casa anos e anos depois encontrando seus filhos já crescidos e o vazio de não terem acompanhado a sua evolução.
Hoje, a partir desses avanços, agora vistos como até “arcaicos” apesar do vanguardismo das respectivas épocas, usamos a tecnologia para um relacionar-se diferente, e muito embora de maneira  mais participativa e interativa do que viviam os nossos, vamos assim, chamá-los  ancestrais, os cuidados não são menos importantes. Pois bem, num click, num toque as distâncias são zeradas e as fronteiras desabadas no uso inteligente de descobertas adaptadas ao nosso tempo feito o fogo e a roda na ocasião de suas descobertas.
Apesar de afirmarem que a tecnologia não substitui o contato presencial devemos nos ater ao lado positivo que ela nos oferece, pois assim como outras gerações  inovaram por nascerem na revolução industrial e participarem da total mudança de meios e modos de produção alçando a humanidade em patamares incríveis de progresso estamos vivendo agora a era do conhecimento que pode e deve ser revertida para otimizarmos o nosso tempo oferecendo-o ao convívio familiar e um melhor relacionar-se, mesmo que distantes uns dos outros, agora não ficamos mais esperando a porta abrir-se ansiosamente.
Nenhuma descoberta ou evolução substituirá a dinâmica familiar,  dinâmica esta que se fundamenta no gostar e cuidar um do outro, num eterno aproximar-se e reaproximar-se. Escrever libera emoções que às vezes a presença física inibe e por muitas vezes, até facilita a convivência. No entanto a solidão também presente nos áureos tempos da humanidade diminuída pelo aconchego do fogo ou encurtando distâncias feito a roda também assombra os novos tempos.
Precisamos cuidar para não desenvolvermos a síndrome do “eu sozinho” nas nossas crianças o que hoje a tecnologia pode fortalecer.  O uso desta pelas crianças precisa sim de limites e de uma ordem estabelecida para o acesso a tudo o que é ofertado. A presença adulta é de suma importância nesse envolvimento tornando o relacionamento um ideal da dinâmica anteriormente falada. Ao contrário do que tem sido pregado em termos de relacionamento “familiar” está tudo igual. Os filhos, embora “feitos” e criados para o mundo, precisam sentir-se cuidados, “vigiados” e amados não importando em que época vivam, viveram ou viverão.
Simples assim.