quarta-feira, 23 de outubro de 2013

"Dedicatória"


"Quem foi que disse que eu escrevo para as elites?
Quem foi que disse que eu escrevo para o "bas-fond"?
Eu escrevo para a Maria de Todo o Dia.
Eu escrevo para o João Cara de Pão.
Para você, que está com este "jornal" na mão...
E de súbito descobre que a única novidade é a poesia,
O resto não passa de crônica policial - social - política.
E os "jornais" sempre proclamam que "a situação é crítica"!
Mas eu escrevo é para o João e a Maria,
Que quase sempre estão em situação crítica!
E por isso as minhas palavras são "quotidianas" como 
                     
                   [pão nosso de cada dia
E a minha poesia é natural e simples como a água bebida
                                    
                   [na concha da mão."

Mario Quintana

Simples assim.


Do livro: "Antologia poética "- L&PM Pocket, Porto Alegre,1999-164p.