domingo, 8 de dezembro de 2013

Sempre haverá o amanhã. Sempre teremos o hoje.

Muito triste ver o Padre Marcelo Rossi relatando todo o seu sofrimento, a 'noite escura' que vem atravessando. Assim como também foi ouvir e ver o nosso amado Monsenhor Jonas Abib também contando sobre o seu calvário vivido nesses últimos 4 anos.
Dói muito, ouví-lo (Pe.Marcelo) dizendo que por muitas vezes julgou essa enfermidade, essa dor da alma como 'frescura'. Senti na pele, por muitos e muitos anos o peso desse julgamento. Lembro-me de que ouvi de duas colegas, em plena crise: "desculpa, mas eu não tenho tempo para ter depressão"...ah como se escolhêssemos sentir essa tristeza profunda, esse desânimo desalentador, esse desespero que cega o nosso futuro e torna o viver tão pesado, arrastado.
Quando aos 28 anos sofri a primeira das duas crises gravíssimas que vivi, a dor tornou-se tão grande e insuportável que tanto fazia eu ter 28, 40 ou 80 anos....sentia como se a minha vida tivesse acabado. De repente petrifiquei, eu via e ouvia tudo e todos, mas não me importava mais com nada. Tantas vezes pedi ajuda, gritei por socorro e as pessoas apressadas demais me julgavam 'mole', fraca e mimada....ah como doía aquela dor absurda que nem nome tinha, era uma colcha enorme de 'patchwork's' desbotados, negros e cinzas, desfigurados e desestruturados...e eu seguia mergulhada num sono profundo emagrecendo dia a dia, de pronto-socorro em pronto socorro gritando por ajuda....mas as pessoas estavam preocupadas demais me rotulando na tentativa de justificar a sua ignorância dos fatos, negando ajuda a cada dedo apontado em riste.
Mesmo definhando pouco a pouco só recebia críticas e incompreensões sendo que me envolveram num boato terrível afirmando que eu havia tentado contra a minha própria vida.....mas que vida? Até hoje não entendo...que vida????
Hoje quando ouço uma pessoa do nada me dizendo que 'está em depressão' me solidarizo, apesar de que eu não sabia que estava com depressão, tenho para mim que qualquer tristeza é auto diagnosticada como tal e isso é lamentável. Fui diagnosticada com 'depressão de etiologia reativa'...uma dor muito forte, uma raiva muito grande foi canalizada e voltada para a única pessoa que eu julgava responsável por tudo o que acontecia minha vida....eu mesma. Sempre tive dificuldade para atribuir responsabilidades e acaba tomando-as para mim e me judiando muito.
Agora percebo que tudo virou depressão e aprendi na minha própria carne o que representa esse desalento, por isso sofri ao ver esses dois homens lutando bravamente contra esse monstro 'de olhos verdes' e sedutores que nos imobiliza e nos marginaliza pois quando nos fragilizamos assustamos os que nos cercam. Aprendi que passamos a maior parte da nossa vida dormindo, cochilando e que nestes momentos acordamos e se conduzirmos a situação com vagar e cuidado renasceremos feito uma fênix para enfim sinalizar para aqueles que mergulham nessa vivência assustadora que a FÉ transforma-se em esperança e renova a nossa vida oferecendo uma nova chance, basta tomar posse e seguir em frente escolhendo controlar o rumo desta.
É a certeza de que sempre haverá o amanhã, mas que sempre teremos o hoje e uma longa estrada pela frente com vários 'pitstop', por isso entregar-se aos cuidados de Deus é preparar-se para essas passagens, que nos ensinam, que ensina os que nos julgam, que nada como um dia atrás do outro coroado com uma vitória.
É isso que importa, proclamar a vitória.

Simples assim.