segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Como posso ajudá-lo, senhor Brasil?

Estou pensando muito nessa polêmica, nesse caso do rapaz que foi preso ao poste, aos episódios de quebra-quebra dos trens, ônibus...enfim nesse desmando todo. Já fui vítima de assalto à mão armada por duas vezes e não foi fácil, até hoje tenho dificuldade para dirigir em vias movimentadas, é uma violência sentir que a sua vida não vale mais do que um carro, uma bolsa, um celular, além de não ser fácil é mais do que isso, tragicamente inesquecível.
Mas como cristã, não posso aceitar e nem ser conivente com esse tipo de atuação. Violência gera violência igualando o justo ao injusto piorando a situação.
Alegar que é a total ausência e omissão do Estado facilita a ação violenta. E a sociedade, como um todo...o que tem feito a respeito?
Matriculamos nossas crianças em escolas particulares para que estas tenham a melhor educação.
É justo, é lícito. Mas, o que fazemos para melhorar o ensino público?
Pagamos convênios médicos caros para que possamos ter um atendimento médico melhor.
É justo, é lícito. Mas, o que fazemos para melhorar a saúde pública?
Dirigimos o nosso carro e reclamamos do trânsito absurdo.
É justo, é lícito. Mas, o que fazemos para melhorar o transporte público?
Sei que o Estado está em flagrante déficit com uma sociedade que está cansada de tanta violência, omissão e descasos. Mas, o que fazemos para melhorar, transformar essas situações?
Ir de quatro em quatro anos às urnas é suficiente?
Fiscalizamos os nossos candidatos?
Cobramos o cumprimento das promessas de campanha?
Participamos das Associações de Bairro, dos Movimentos e outras iniciativas que podem sim compor com o Estado?
Até quando vamos nos conformar com um Estado falsamente paternalista que não cumpre e jamais cumprirá o que promete?
Em que podemos ajudar?
O que podemos fazer além de reclamar, reclamar e reclamar?
O que podemos fazer além de culpar esse "Pai" ausente?
O que podemos fazer além de esperar, esperar e esperar?
O que podemos fazer além de debater essas polêmicas e novamente deitar em "berço esplêndido"?
O povo brasileiro sabe fazer história, sabe ir às ruas em prol de uma causa, não precisa se manisfestar de maneira tão traumatizante.
Como dizer à um jovem que a violência não resolve se estamos praticando atos dessa natureza?
A única coisa que vejo é que a falta de união, de solidariedade, de identificação com a situação do outro afeta a todos, pois sabemos que quando uma das partes está doente, necessitada, sofrendo o todo é afetado.
A vida é assim, se não somos solidários nos tornamos vítimas da nossa omissão, da nossa ignorância, do nosso conformismo e consequentemente sofremos e sofreremos os efeitos dessas causas mal cuidadas, mal administradas, mal geridas.
O mais fácil é dar 'graças a Deus' por não ter sido, ainda., vítima. É o olhar compadecido para o 'vizinho' que sofreu - coitado, a pior das ações, mas assim mesmo, respirar fundo e dormir tranquilo por que não foi a sua vida que foi abalada e destruída.
Mais do que aplaudir esses atos, ou omitir-se, creio que devo perguntar: Como posso ajudar, senhor Brasil? Como posso ajudar?
Simples assim.