quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Hoje a menina renovou a mulher.

Resultado de imagem para mãe e filha de mãos dadas

Imagem: A mente é maravilhosa


É muito interessante o modo como agimos quando estamos fragilizados. Na verdade, não sei vocês, mas descobri que de uma maneira 'torta' faço uma viagem de volta. É bem por ai mesmo, volto às minhas origens que é materializada numa casa, ou melhor ainda, num quarto.
E que volta! Quantas lembranças me visitaram nesta tarde, quando eu me refugiei num lar, no único lar que eu conheço. Esse lar foi construído na década de  por um jovem casal afim de abrigar seus quatro filhinhos e as suas esperanças.
Em cada tijolo, em cada pedaço é possível ler novamente essa história, essa trajetória. E tal como um útero lá sou acolhida e acalentada no mesmo quarto onde dormíamos, assim como contava Maria José Dupré, "- Éramos Seis". Lindo, lindo!
Aquela casa originariamente de um quarto, sala, cozinha e banheiro cresceu e tem vários cômodos que, assim, como tantos outros passam vazios na maioria dos dias, afinal aquele casal voltou ao início e no presente vivem o que viveram num passado nem tão distante assim, quando, ainda, eram, apenas dois.
Hoje, pela graça e misericórdia do Senhor ainda somos os mesmos seis da família original mas  já acrescentamos  mais  da segunda geração ( meninas e 3 meninos) e os agregados. Muito legal! É muito bom ter um lugar para voltar e uma história para recordar, ambos nos devolvem, nos renovam; estar naquele quarto hoje foi o mesmo que ter recebido além de uma carga de energia a oportunidade de novamente sonhar, de voltar a ser menina e ter aquele quintal enorme cheio de terra vermelha para brincar e exercitar toda a imaginação possível. Com toda certeza naquele quarto eu devo ter sonhado muito, idealizado muito e mais do que isso recebido muito pois ao estarmos todas as noites juntinhos um se completava no outro, tínhamos a proteção dos nossos pais e a cumplicidade do irmão e das irmãs. Acho que foi isso o que fui buscar lá hoje e como sempre encontrei fazendo uma viagem reversa a um passado onde as paredes não eram revestidas, as telhas se mostravam todas e havia um inseticida em espiral  queimando para espantar os pernilongos. Eita ainda sinto aquele cheiro!
Eh, tempo bom! Um tempo em que muitas outras famílias naquele entorno realizavam seus sonhos e todos nós éramos chamados à testemunhar participando das festas da 'cumieira' ou 'cumeeira', (uma prática antiga trazida pelos portugueses) quando encerravam a construção da casa orgulhosos fincavam um galho de 'eucalipto' (vegetação local) no telhado...ah era uma alegria só! Ali era sacralizado que mais uma família estava nascendo ou chegando para compor aquele cenário latejante de esperanças e expectativas.
Pois é minha gente, às vezes uma volta ao passado nos impulsiona para o futuro pois areja o presente nos recordando quem fomos, o que somos e quem, ainda, podemos ser.
Eu recomendo, volte, às vezes é preciso para lembrar quem fomos e o que sonhamos, para renovar quem somos.

Simples assim.