quarta-feira, 18 de março de 2015

Sou eu quem escolho o próximo que devo amar?


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Realmente, sabemos que Deus não faz distinção de pessoas, misericórdia, mas nós fazemos, e como fazemos. Bem, pelo menos eu, vergonhosamente confesso, faço.

Nestes últimos dias tenho vivido situações onde essa verdade bate sem dó nem piedade no meu "lombo". Por quatro vezes me deparei com a mesma cena que me trouxe esse questionamento e hoje o Senhor me presenteia com essa Palavra.

Difícil, heim?

Pois bem, vamos ao relato dos fatos; ontem pela manhã, no trem embarcou um senhor que deveria estar usando a mesma camisa há vários dias, nossa, afffff, torci o nariz e desejei ardentemente que ele saísse de perto de mim: à noite, vi que um senhor, morador de rua, que fica por aqui diariamente, deu sinal p o mesmo ônibus que eu; embarquei desejando ardentemente que ele não tivesse embarcado e me vi decepcionada ao vê-lo sentadinho nos bancos do meio, estava ali como se nos dissesse: " - eu também tenho o direito de estar aqui e não preciso me esconder lá no fundo." (e bem o sabemos, ele tem esse direito). Torci o nariz e desejei que ele não estivesse ali me incomodando com aquele cheiro insuportável e aquela aparência decrépita e ofensiva. Como se não bastasse a noite no trem, embarcou um outro sujeito "atrevido", também "imundo, cheirando mal" carregando uma mala e um carrinho num trem bem cheio e como se não bastasse tudo isso, ainda cantava e ria alto "atrapalhando" o nosso sossego com o seu cheiro e o seu cantar. Como ele pode ser feliz? Não vê que nos ofende com aquele cheiro insuportável e aquela aparência decrépita e ofensiva? E aquela alegria sem nexo,sem explicação, então, como pode?

Minha cabeça parecia que ia explodir e comecei a me questionar..." - como amar essas criaturas como me amo? Como amar a Deus que nelas habita? Como enxergar Cristo nelas depois de ultrapassar a barreira do odor forte, da ânsia causada pela aparência 'nojenta'? Como, meu Deus, ser um ser 'superior' a tudo isso e enxergar-te naquelas vestes imundas, naquele hálito impuro? Como deixar de criticar e mentalmente apontar o dedo atribuindo a elas próprias o ônus dessa pretensa derrota?

É culpa delas sim, que se deixaram enfraquecer diante das obscenas seduções e se entregaram a elas, sem medos e sem receios, pelo menos é como as julgo do alto da minha soberba e falta de caridade e humanidade.

O que eu tenho a ver com essas fraquezas traduzidas nesses espectros humanos que impõem suas presenças no meu mundo tão cor de rosa?
Desculpem-me se os ofendi com a minha sinceridade, sinceridade esta gestada na vergonha de assumir que minha repulsa por esses seres humanas é inaceitável tendo eu me declarado cristã e, portanto portadora da misericórdia do Pai que se faz Pai de todos, tornando-nos irmãos e irmãs, iguais na caridade e na solidariedade que troquei por uma pretensa superioridade, que pela graça de Deus está sendo trocada pela decência que compõe o amor ao próximo. Não sei como me sentirei caso venha a encontrar essas pessoinhas, ou outras que 'vagam' por aí, sim, vagam, porque falar que vivem é ser "Polyana" demais.

Só em Deus encontramos forças e só Ele conhece verdadeiramente o nosso coração, por isso recorro clamando: - Sou humana Senhor, "humana demais para entender", ajuda-me, ajuda-me, eu sei que essas pessoas não cruzaram o meu caminho à toa.

Eu sei que minhas orações precisam sair da comodidade delas e se tornarem ações acolhedoras e transformadoras.Não é delas que devo sentir 'pena', antes disso preciso mergulhar na minha interioridade e me conscientizar que não sou nobre e preciso enobrecer o meu coração.

Ajuda-me Senhor?

Ajuda-me Senhor!

Sozinha não dou conta dessa fraqueza.

Simples assim.