segunda-feira, 6 de junho de 2016

Duas meninas caminhando em seus tapetes de lembranças!


As memórias contidas nesta Lyra, de inspiração poética, ativou a minha faculdade de poetar. 
Como é bom encontrar uma amiga que ao invés de falar suas histórias as transformam em lindas palavras escritas que traduzem belamente tudo o que tem guardado no coração.
No mesmo dia que li esse "cantar" da minha querida Marlene CYAmada,http://lyrapoetica.blogspot.com.br/  que muito tem me encantado eu, também, havia percorrido um tapete de lembranças.
Aproveitei o dia fresco por conta da chuva e caminhei pelas ruas do meu bairro enebriada pelo perfume das recordações.
Passei na frente da padaria da Rua 6, onde ficavam as casas mais bonitas e a venda do Mané. Virei a esquina e à esquerda ainda existe a malharia. À direita tinha a "venda amarela" (acho que foi o mais próximo de um boteco que conheci na ocasião). Lógico, frequentado só por homens, afinal na década de 70 não era de muito bom tom mulher frequentá-los.
Parece que faz tannnto tempo e faz, não é? Trata-se do século passado....affffff.
Neste pedaço de rua, quanta saudade!Lembro-me que minha mãe costurava para a dona Maria Portuguesa em troca de material escolar e uniformes para nós quatro. Ela,a dona Maria e o seu Jorge, tinham uma "lojinha" que quebrava um galhão para nossa família. 
Era um tempo muito diferente de hoje, não sofríamos tanto assédio, usávamos o que era necessário e a indústria e o comércio não tinham tanta variedade para oferecer. Melhor para os pais que sofriam quando um filho pedia ou precisava de algo e eles não tinham como comprar.
Segui embevecida e mergulhada na adolescência, passei pela quitanda da tia da Bia, pela casa da Odete, depois pela casa da Nanci, dos pais e irmã da Ivete, da Tânia, do Álvaro e pela "boutique" do Brasa onde os jovens até hoje compram roupas de grife com preços adequados.Tudo ficou misturado, o que foi e o que é, passado e presente se fundiram confundindo-se nas minhas memórias.
Cheguei na esquina onde troquei meu primeiro beijo, aos quinze anos. Foi com o Sergião, um rapaz alto, bonito, loiro de olhos azuis, bem invocado. Estávamos cursando o ginásio e depois nunca mais o vi, mas negar este momento não pooooooooooode de jeito nenhum, passa tudo como se fosse um filme, que observo, apenas observo. 
Também, julgar para que, não é mesmo? 
Pronto, cheguei à rua onde morei por 36 anos e a cada passo dado a menina, a adolescente e a jovem contavam para a mulher suas peripécias e compartilhavam suas reminiscências. 
Quantas histórias elas viveram e formataram o hoje da minha existência. 
Tenho tudo para lembrar e nada para esquecer. 
Nem dores, nem amores, só uma vida normal que foi à sua maneira bem vivida.
Simples assim!